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Sete tacos...Coluna GUILLERMO PIERNES

(Publicada originalmente na edição 65 da revista Golf & Turismo)

Sete tacos são suficientes para jogar bem

Por Guillermo Piernes*

A maioria dos golfistas pode ter desempenho habitual utilizando apenas com sete tacos, a metade dos permitidos na bolsa.

De prestar menos atenção ao eficiente marketing das fábricas de equipamento de golfe e de dar espaço a uma visão realista, os jogadores amadores com handicap médio e alto - 75% dos praticantes – carregariam menos peso e o mesmo fardo de efêmera gloria que com os 14 tacos.

Voltemos ao número sete. É o número mais presente em toda filosofia e literatura sagrada desde tempos imemoriais. É o número da perfeição é símbolo da totalidade do Universo em transformação, além de representar os sete dias da semana e as sete cores do arco-íris.

É um número místico por excelência. Permito-me apelar para a História e pesquisas recentes para provar os vaivens no número de tacos no golfe.

A História documentada num quadro registra o rei Charles I da Inglaterra, num jogo de golfe no campo do Leith, na Escócia em 1641. Na pintura, o caddie carrega a bolsa real com seis tacos.

Em 1924 USGA aprovou as varas de aço. Em 1926, o escocês George Nicoll apresentou o primeiro jogo de ferros, numerados de um a nove. Em 1929, a R&A aprovou também as varas de aço.

A indústria de material de golfe iniciou a ofensiva com sets de nove ferros como mínimo, além das madeiras e o putter. Em 1934, Little Lawson venceu os Abertos de Amadores dos Estados Unidos e Inglaterra com 30 tacos na sua pesada bolsa.

Sem limite, alguns jogadores destros levavam vários tacos de canhotos para eventualidade que a bola ficasse colada numa árvore, para grama muito alta, para falta de grama, para areia grossa, areia fina.

O alarme soou e em 1938 USGA e R&A colocaram o limite regulamentar de 14 tacos como máximo na bolsa.

Os fabricantes de tacos, seus marqueteiros e os vendedores mostraram mais uma vez incontestável competência, apresentando novos grips, ângulos, materiais e outros tentadores avanços que prolongam o ponto de inércia, ajudam nos efeitos e trajetórias.

Os profissionais e talentosos jogadores scratch podem tirar máximo proveito das sutilezas de tantos tacos.

Para a maioria fica a ilusão que carregando catorze tacos o jogo fica num nível superior. É um controvertido custo/benefício. Além do alivio em volume, viajar com menos tacos é mais barato.

Na escocesa Edimburgo onde passei um tempinho, muitos golfistas jogam nove buracos na hora de almoço alongada. Eles pegam um transporte coletivo do escritório ao clube com a sua sacola fina e leve que carrega sete tacos. Tudo fácil e eficiente na terra do berço do golfe.

Muitos profissionais treinam com três ou quatro tacos, num exercício para desenvolver a sensibilidade do jogador na extensão do pendulo do swing de golfe.

Recentemente fui convidado a participar de um desafio de três tacos no Arujá Golf Club. Os organizadores do simpático torneio, Rodrigo Costa e Mario Mafra, fizeram uma pesquisa sobre o desempenho com a radical redução do número de tacos entre os participantes.

Em matéria de desempenho, 50% disse que com três tacos o escore foi ligeiramente acima do escore normal, um 25% afirmou que o escore foi um pouco abaixo do registrado com todos os tacos e outro 25% informou que o desempenho foi similar ao que normalmente realiza com todos os tacos permitidos.

A dúvida é péssima companhia para um golfista. Com menos tacos diminuem as dúvidas e assim mais energia para concentrar e focar na tacada.

É um bom desafio tentar montar uma bolsa com sete tacos. Minha opção seria driver, madeira três, híbrido cinco, ferros seis e nove, wedge 56 e putter. Lógico que com as adaptações para cada campo. E a sua bolsa de sete tacos como seria montada?

Como o golfe é altamente lúdico conhecemos muitos golfistas que desfrutam tocando cada taco, imaginando a perfeita trajetória com cada um dos catorze permitidos, dando a eles a segurança e satisfação similar a que sente um músico com três níveis de teclado de órgão, um pintor entre muitos pinceis, um cirurgião ao lado de um instrumental completo.

O golfe é para ser fonte de prazer em todo momento, para todos. Para o que desfrutam de um jogo mais simples sem mudanças sensíveis no desempenho eu apoio e jogo atualmente com bolsa com sete tacos.

Peço perdão aos fabricantes e comerciantes de tacos por não contribuir para o crescimento dos seus negócios com este enfoque para jogar com sete tacos. Espero receber o perdão por defender os sete tacos.

Boa parte desses integrantes de industria do golfe também tenta praticar o ensinamento bíblico de perdoar. Perdoar quantas vezes?: “Setenta vezes... Sete”.

* Guillermo Piernes é palestrante, jornalista e consultor corporativo. Autor de Liderança e Golfe. Colaborador da revista Golf&Turismo. Editor do site Golfe Empresas.

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