Home
Palestra
Fotos
Publicidade
Notícias
Contato
Notícias

Guillerno Piernes na Golf &Turismo

foto de Guillermo Piernes - P.M.

PGA Latinoamerica

(Artigo publicado na edição 63 da revista Golf@Turismo)

Por Guillermo Piernes *

Até aqui o caminho foi bom, porem chegou à hora de refletir se o PGA Tour Latinoamerica continua ou não como boa porta de entrada dos profissionais regionais para os principais circuitos mundiais.

Os números provam hoje que a porta de entrada aos grandes circuitos está cada vez mais estreita para os jogadores do Brasil e de outros países da região.

São altos os valores para participar para o nível de ingresso dos jogadores latino-americanos, além do fato que os milhares de profissionais dos Estados Unidos, com outro poder econômico, terem descoberto que também podem tentar esse caminho.

A metade de todos os inscritos nas classificatórias do PGA Tour Latinoamerica ou Q-School 2019 foi de nacionais dos Estados Unidos, inspirados no exemplo de Martin Trainer, que após entrar numa classificatória do PGA Tour Latinoamerica em 2016 chegou ao PGA Tour onde tem uma carreira de grande sucesso.

Em cada classificatória o primeiro colocado teve direito a um cartão de entrada total no circuito.

Do segundo ao 11º ganharam cartão para a primeira metade da temporada. E do 12º ao 35º receberam o prêmio consolo de um cartão condicional para a primeira metade da temporada, ou seja, se sobrarem vagas.

Três de cada quatro cartões acabaram em mãos de jogadores dos Estados Unidos das QSchools realizadas este ano no Brasil e na Argentina, além das duas organizadas em território americano. O uruguaio Juan Alvarez foi o único latino-americano a vencer uma Q-School, na disputada na localidade argentina de Cañuelas.

É meritocracia dos profissionais americanos sim. É muito talento e treino, sim. Também é parte do desequilíbrio criado pelo poderio econômico da maior potencia do mundo com seus 25 milhões de praticantes de golfe perante uma região com maioria de países mergulhada em crise com somente meio milhão de golfistas.

A comparação do nível de patrocínio para jogadores profissionais nos Estados Unidos e na América Latina resulta embaraçosa. Assim os jogadores americanos podem investir muito mais em viagens, hospedagens, inscrições, preparação, etc.

O brasileiro Felipe Navarro foi um dos poucos latino-americanos que conquistou um dos cartões que dão direito a participar dos torneios do circuito que se jogam no primeiro semestre ao classificar nono na Q-School no Campo Olímpico do Rio de Janeiro.

Na disputa no Brasil, somente Navarro e somente outros três brasileiros conseguiram encarar os gastos – inscrição U$500, passagem, hospedagem, caddie, etc,. Logicamente não houve nenhum brasileiro nas outras classificatórias e onde também participaram poucos argentinos, colombianos, chilenos e venezuelanos.

Na lista de jogadores da PGA Tour Latinoamerica 2019 figuram 184 jogadores dos Estados Unidos, 100 de todos os países da América Latina – entre eles quatro brasileiros - e 44 profissionais de Europa, África, Ásia, Oceania e Canadá.

É a realidade que fala alto! A porta que estava aberta na atualidade está deixando apenas uma fresta para os profissionais latino-americanos.
Business is business... porém este negócio está se tornando um negócio de alto custo e baixo benefício para a maioria dos jogadores profissionais nascidos ao sul dos Estados Unidos.

O PGA Latinoamerica abre cinco vagas para o Web.com Tour, o circuito de acesso ao PGA Tour, para os cinco primeiros da lista de prêmios durante a temporada completa.

Difícil adivinhar quantas vagas serão de jogadores latino-americanos na atual temporada que possibilitem a ascensão ao Web.com Tour. Tal vez seja à hora de colocar o tema para os competentes organizadores do PGA Tour para que eventualmente encontrem uma solução satisfatória para todos.
Várias associações de profissionais sul-americanos estão atentas ao assunto.

Pode ter chegado a hora para os dirigentes e patrocinadores sul-americanos buscarem novas alternativas para o desenvolvimento do golfe profissional e de reavaliar quanto traz de beneficio a transferência de recursos financeiros do esporte ao sul do Equador para uma instituição competente e muito rica.

Tal vez chegou o momento para a maioria dos jogadores latino-americanos de evitar mais desgastes criando falsas expectativas e transitar por novos caminhos mais viáveis para seu crescimento profissional.

O PGA Tour Latinoamerica merece palmas pela sua contribuição histórica assim como outras iniciativas do passado que deram oportunidades a profissionais regionais.

Porem o tempo passou, as circunstancias e condições mudaram e torna-se aconselhável uma calma reflexão dos distintos setores para dar novos passos para um futuro melhor...para todos.

* Guillermo Piernes é palestrante, jornalista e consultor corporativo. Autor de Liderança e Golfe. Editor do site Golfe Empresas.

[ voltar para a homepage ] [ ver todas as notícias ] [ ver próxima notícia ]






Copyright Golf e Negócios 2019   Desenvolvido por InWeb Internet